Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar,
mergulho em 
profundo silêncio – e eis que a verdade se me revela.
(Albert Einstein)

Hoje comemora-se o Dia do Silêncio. Não sei bem porque escolheram essa data, nem mesmo porque ter um dia para se lembrar do silêncio, algo que deveria ser parte de nosso dia a dia. Mas a humanidade parece precisar de dias para se lembrar de tudo que nunca deveria esquecer…

Procurei algo e encontrei que em Bali um dia do ano é dedicado ao silêncio, o Nyepi – não se fala, não se trabalha, não se come… para-se tudo, um dia para jejuar, ficar quieta, meditar.

Talvez seja realmente necessário ter ao menos um dia para se lembrar de como é importante e bom o silêncio!

Em todas as tradições espirituais o silêncio é uma prática diária. Eu mesma tive a oportunidade de passar 4 dias em silêncio num retiro Zen Budista, achei que seria impossível, revelou-se maravilhoso, não queria sair de lá, não queria começar a falar e quem me conhece bem sabe o quanto gosto de falar.

Mas estar em silêncio talvez não se resuma apenas ao fato de não falar. Talvez implique em pausar por completo, dar tempo ao nada, não falar, não ler, não ver, não ouvir, não mover e apenas ser! Não é fácil, mas não é assim tão difícil.

Todos os mestres espirituais e pensadores nos estimulam a começar pequeno, um minuto por dia, talvez 5 minutos distribuídos em 5 vezes. Prem Baba nos propõem isso, assim como Eckhart Tolle. Na comunidade de Plum Village, a comunidade do Monge Budista Thich Nhat Hanh, o sino toca de hora em hora e todos param tudo o que estão fazendo para apenas respirar com toda a sua atenção focada neste ato vital que acontece independentemente do nosso querer. Em Plum Village, assim como em muitas outras comunidades budistas, toma-se o café da manhã em silêncio, em outras todas as refeições são feitas em silêncio.

Estar em silêncio nos conecta com o aqui e agora, com o momento presente; nos conecta com nós mesmos e, portanto, permite nos conectar com os outros e com o lugar onde estamos. O silêncio nos permite ouvir a nós mesmos: nosso corpo – o que ele nos diz e nos pede, nosso coração e nossa própria mente; permite aquietar a mente que não para nunca. Nos permite observar e atentar para coisas que no corre corre da vida não nos permitimos notar.

Silêncio, a pausa necessária para notar as sutilezas da vida, como a imagem refletida num gota de chuva…

Em uma era onde tudo parece acontecer ao mesmo tempo e acreditamos que não podemos perder nada, nem um segundo sequer, não nos damos conta do quanto perdemos em meio a tanto ruído – ruído de ouvir, de ver, de sentir!

Ontem tive a oportunidade de participar do Método Abramovic, da artista sérvia Marina Abramovic. Nada mais do que a prática da atenção plena, do estar presente por inteiro, sem nada fazer em completo silêncio – duas horas para estar com você mesmo, sentado, deitado, em pé e caminhando, na presença de peças incrustadas com cristais do nosso país. Pareceu-me estranho num primeiro momento, talvez porque como praticante de Yoga e de meditação isso me seja tão importante como dormir, mas depois entendi a razão de práticas milenares se transformarem em arte: nosso mundo se esqueceu de ambos, do aquietar-se como prática espiritual e de conexão com Algo maior, esse Algo que tantos nomes possui e você pode escolher o que mais lhe toca.

Poderia escrever muito mais, mas afinal hoje é o dia do Silêncio e aqui me calo para celebrar o meu silêncio! O silêncio nos diz muito mais que qualquer palavra!

Enjoy the silence… Words are very unnecessary… (Depeeche Mode)

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Publicado originalmente no blog da ECO Rede Social em 07/05/2015 em comemoração do Dia do Silêncio.